Como empreender em tempos de crise

 

VALÉRIA REQUIÃO B. BEZERRA

EMÍLIA BEZERRA

LEONARDO PEIXOTO

ZAIRO ANDRADE DE FREITAS

RICARDO TEIXEIRA

DANILO GARRIDO

Atualmente a frase que mais se repete no mundo dos negócios é que as crises sempre são fontes de oportunidade. Sabemos que inúmeras pessoas não compartilham desta afirmação, afinal, a opinião certamente irá divergir em função da experiência passada ou mesmo do presente de cada um. Mas, esta afirmação é realmente verdadeira?

Existem oportunidades em meio às grandes turbulências no mercado? Identificar a oportunidade certa, que permita a escolha do negócio que possa não somente ser bem sucedido, mas principalmente manter-se ao longo do tempo (o que chamamos de empreendedorismo por oportunidade) é o grande desafio dos empreendedores. Empreender em tempos de crise significa assumir riscos altos, mas em contrapartida pode ser também a chance de inovar, ou seja, transformar idéias em ações lucrativas, com perspectivas de sustentabilidade e solução de continuidade de longo prazo.

Pode-se perceber, não somente no Brasil mas em outros países, o quanto foi ignorado, durante tanto tempo, a real situação de grandes empresas e grandes bancos, cujo declínio e comprometimento da liquidez não aconteceram ¨da noite para o dia¨, mas já vinha dando sinais de desequilíbrio há bastante tempo. No entanto, mesmo com todos os indicadores internacionais apontando um cenário nada favorável para diversos nichos de mercado, segundo publicado por Mariana Parizotto, jornalista do ¨Dicas Profissionais¨ (www.dicasprofissionais.com.br), ¨em outubro de 2008, durante um encontro de ministros do Trabalho do MERCOSUL, Carlos Lupi, ministro do Trabalho e Emprego, declarou que o Brasil estava protegido contra a crise financeira internacional e que os seus desdobramentos não rejudicariam o mercado de trabalho no país. Passados quase quatro meses, as pesquisas e levantamentos indicam uma situação bem diferente da indicada pelo ministro¨.

Contudo, vale ressaltar que o Brasil pode ser a ¨bola da vez¨, analistas brasileiros e americanos apostam que o BRIC - sigla utilizada para apresentar os novos países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China - vai crescer na contra mão da recessão mundial. Neste quadro o Brasil lidera o grupo, ao lado da China, e as previsões são otimistas, tendo o sistema bancário brasileiro destaque, uma vez que a crise mostra que o sistema financeiro é vital para uma economia, segundo Ernesto Lozardo, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e autor do livro "Globalização - A Certeza Imprevisível das Nações", ¨A principal âncora do nosso desenvolvimento é o sistema financeiro estável e sólido. Ele fará o Brasil se sair melhor na crise. Os bancos brasileiros estão capitalizados e são confiáveis. Esta credibilidade é dada pelo Banco Central, que faz correções rápidas, fiscalizando a liquidez a o grau de risco dos bancos", diz Lozardo. Ele acrescenta que ¨o país é o único com metas para a inflação e ações interbancárias¨. Essa segurança favorece o investimento no nosso país e nos remete a refletir sobre as oportunidades que podem ser identificadas neste momento de crise.

Resta agora a seguinte pergunta: onde estão as oportunidades? E, é claro: Como faço para aproveitá-las? Existem duas grandes chances nesse momento de crise: implementar um novo negócio com a concepção adequada para este contexto ou redefinir as estratégias do negócio atual. Cabe ao empreendedor avaliar qual caminho seguir, mas para isso é preciso olhar também para dentro da sua organização e construir um caminho sólido para continuar caminhando.

Estimular o envolvimento de todos os colaboradores no sentido de reduzir custos e aumentar a produtividade pode ser determinante para a manutenção do negócio e redução dos reflexos da crise. Esta deve ser a postura das empresas independente da crise, estar continuamente avaliando seu negócio, reduzindo custos, aumentando a produtividade e conseqüentemente melhorando seus resultados. 

Motivar e ter a consciência do verdadeiro momento vivido é muito importante, sem pessimismo, mostrando que a estabilidade dependerá muito do empenho de todos. Também deve-se estar receptivos e flexíveis às novas idéias dos colaboradores, mostrando opções o crescimento para empresa nesse momento de crise, pois, muitas vezes eles conhecem melhor o mercado e os riscos do ramo em que a empresa atua. Infelizmente, o momento não é de contratações, assim os problemas devem ser resolvidos internamente e isso deve ocorrer de forma saudável e construtiva, mostrando que o período é passageiro e que ao fim deste todos serão recompensados.

Sabemos como a crise começou, mas não sabemos como ela vai terminar, quanto tempo vai durar e quais os reais reflexos na economia mundial. Em setembro de 2008 as perspectivas eram menos otimistas, já no final do ano a economia reagiu ¨timidamente¨ e a partir das medidas adotadas por cada país isoladamente, a economia foi reagindo como um ¨termômetro¨ auxiliando os analistas, governantes, economistas, empresários, a recuar ou avançar neste ou naquele caminho, de acordo com a reação do mercado. Contudo, enquanto muitas empresas se retraem colocando em suspenso seus planos de negócios, os empresários empreendedores vêem na crise um período de oportunidades, sabendo que os investimentos feitos nesse momento tendem a ter um retorno muito maior no futuro. O que acontece é que em tempos de crise a criatividade fica mais aguçada e criatividade é algoque aplicada e bem focalizada proporcionará oportunidades e lucro.

É uma questão de sensibilidade revestida por conhecimento e coragem. Ninguém quer perder, o que acontece é que acabamos nos acomodando quando vivemos longos períodos de calmaria. A crise, sem dúvida alguma nos deixa mais alertas. Os períodos de dificuldade se encarregam de fazer a seleção natural das espécies e os empreendedores também não escapam de ser colocados à prova a todo o momento. Mais adrenalina, mais criatividade, sempre existirão oportunidades. Que todos consigam superar esse período de turbulência e saiam fortalecidos pelas experiências. Os empreendedores mais preparados estarão à frente do processo de mudança e das suas mãos acabam se materializando as oportunidades mais lucrativas e prósperas, que serão os motores do novo ciclo de crescimento que está por vir.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Blog do Empreendedor.com.
  • D. Cortés, Patricio, Diretor Executivo do Centro de Emprendimiento e Innovación da Universidad del Desarrollo, do Chile. Artigo ¨Empreendedorismo em tempo de crise¨, 2008 -www.fdc.org.br
  • Lozardo, Ernesto, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e autor do livro "Globalização¨ A Certeza Imprevisível das Nações
  • Parizotto, Mariana, site: www.dicasprofissionais.com.br, 2008
  • Oliveira, Sérgio. Artigo ¨Empreendedor de Verdade¨, 2008

 

 

 

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